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Extinção (Extinction) — AFIRM

Prática baseada em evidência para reduzir comportamentos problemáticos removendo o reforço que os mantém — sempre a partir da função do comportamento, com ensino de resposta alternativa, plano de crise e checklist para a família.

Público-alvo
Comportamentos que interferem na aprendizagem, autolesivos ou disruptivos — com função identificada.
Duração
Aplicação contínua · exige supervisão clínica e plano escrito
Evidência
Prática baseada em evidência (NPDC/AFIRM · Cooper, Heron & Heward, 2020).

Conteúdo do módulo

8 lições

Conteúdo em expansão
  1. 01

    O que é extinção e o que NÃO é

    6 min · 3 passos · 0 questões

  2. 02

    Tipos de extinção pela função (atenção, fuga, tangível, sensorial)

    6 min · 3 passos · 0 questões

  3. 03

    Explosão de extinção e recuperação espontânea

    6 min · 3 passos · 0 questões

  4. 04

    Ensino da resposta alternativa funcional (FCT)

    6 min · 3 passos · 0 questões

  5. 05

    Plano de crise — antes, durante e depois

    6 min · 3 passos · 0 questões

  6. 06

    Checklist de implementação para o cuidador

    6 min · 3 passos · 0 questões

  7. 07

    Coleta de dados ABC e gráfico de frequência

    6 min · 3 passos · 0 questões

  8. 08

    Fidelidade da equipe e revisão do plano

    6 min · 3 passos · 0 questões

Acesse as lições completas

Player interativo com passo-a-passo e quiz — disponível para profissionais logados.

Entrar / Criar conta

Conteúdo educativo baseado em práticas com evidência (NPDC/AFIRM). Não substitui formação profissional em ABA nem orientação clínica individualizada.

No painel, os registros de sessão desses programas geram gráficos automáticos de evolução e resumos com IA (revisáveis pela profissional) — tudo por paciente, com privacidade total.

Fundamentos AFIRM

O que é Extinção

Extinção é uma prática baseada em evidência (AFIRM/NPDC) que consiste em remover o reforço que estava mantendo um comportamento problemático, para que ele diminua ao longo do tempo. Só pode ser aplicada depois de identificar a função do comportamento (por que ele acontece) e sempre em conjunto com o ensino de um comportamento alternativo funcional. Extinção não é punição e não deve ser confundida com "ignorar tudo".

Tipos de extinção (pela função)

Extinção da atenção

Comportamento mantido por atenção social

Retirar contato visual, verbalizações e reações — permanecer neutro e presente para segurança.

Exemplo: Criança grita para chamar atenção → adulto não olha, não fala, não repreende; volta a interagir quando aparece comportamento apropriado.

Extinção da fuga/esquiva

Comportamento mantido por escapar de demanda

Manter a demanda até que a criança complete a tarefa (ou responda com o comportamento-alternativa ensinado).

Exemplo: Criança joga o material para escapar da atividade → adulto guia fisicamente a mão para terminar a tarefa; só encerra após a resposta.

Extinção do tangível

Comportamento mantido por acesso a itens/atividades

Não entregar o item enquanto o comportamento inadequado estiver ocorrendo.

Exemplo: Criança bate para pegar o tablet → tablet permanece guardado; é entregue somente após um pedido apropriado (mando/troca PECS).

Extinção sensorial (automática)

Comportamento mantido por consequência sensorial

Mascarar/bloquear a consequência sensorial e oferecer alternativa funcional equivalente.

Exemplo: Criança bate objetos pelo som → objeto forrado para reduzir o som; disponibilizar instrumento musical apropriado.

Explosão de extinção (extinction burst)

Ao iniciar a extinção é esperado que o comportamento piore antes de melhorar. Prepare a família e a equipe:

  • Aumento temporário da frequência, intensidade ou duração do comportamento (extinction burst).
  • Aparecimento de comportamentos novos — variabilidade da resposta.
  • Respostas emocionais: choro, agressão, agitação.
  • Recuperação espontânea dias depois — pode reaparecer, mesmo após redução.

Plano de crise

Toda intervenção de extinção deve ter um plano de crise por escrito, assinado pela família e revisado pela equipe clínica antes da aplicação.

Antes

  • Definição operacional do comportamento-alvo (topografia, início, fim).
  • Avaliação funcional (ABC + entrevista) confirmando a função.
  • Ensinar ANTES uma resposta alternativa funcional (FCT/mando).
  • Combinar com família/escola quem faz o quê e quais frases usar.
  • Ambiente seguro: retirar objetos que possam ferir, prever espaço.
  • Consentimento informado por escrito dos responsáveis.

Durante a crise

  • Priorizar SEGURANÇA — da criança, de quem intervém e de outras crianças.
  • Postura neutra: sem gritar, sem repreender, sem negociar.
  • Bloqueio físico mínimo, apenas se houver risco (nunca contenção prolongada).
  • Manter extinção da função identificada (não entregar atenção/fuga/tangível).
  • Reforçar imediatamente qualquer sinal do comportamento alternativo.
  • Registrar horário, duração, intensidade e antecedente para o ABC.

Critérios de parada / encaminhamento

  • Risco iminente de lesão grave (auto ou hetero) — interromper e proteger.
  • Sinais clínicos: convulsão, dispneia, sangramento — acionar SAMU 192.
  • Duração fora do previsto (>15–20 min) ou aumento por mais de 3 sessões seguidas — reavaliar o plano com o BCBA/psicóloga responsável.
  • Qualquer dúvida da família: pausar extinção e reagendar reunião de plano.

Depois

  • Debrief com a equipe: o que funcionou, o que ajustar.
  • Comunicar a família com transparência (registro escrito).
  • Atualizar gráfico de comportamento e ABC no prontuário.
  • Reforçar densamente o comportamento alternativo pelo restante do dia.

Checklist de implementação — cuidador

Roteiro prático para a família aplicar em casa. Imprima e marque a cada dia até que todos os itens sejam consistentes.

Preparação

  • Sei qual é o comportamento-alvo (descrição por escrito).
  • Sei qual é a função (atenção · fuga · tangível · sensorial).
  • Sei qual comportamento alternativo devo reforçar no lugar.
  • Retirei objetos de risco do ambiente.
  • Combinei com os outros adultos da casa a mesma resposta.

Durante o comportamento

  • Mantive rosto neutro, sem olhar direto prolongado.
  • Não falei, não repreendi, não expliquei.
  • Não entreguei o item/atividade desejada.
  • Mantive a demanda (se a função for fuga).
  • Garanti a segurança física sem contenção desnecessária.

Assim que aparece o comportamento adequado

  • Reforcei imediatamente (≤ 3 segundos).
  • Usei o reforçador combinado no plano.
  • Nomeei o que a criança fez ('Você pediu com o cartão, obrigada!').

Registro diário

  • Anotei horário, gatilho e duração.
  • Marquei se houve explosão de extinção.
  • Enviei o registro para a equipe (app / caderno).

Nunca faça

  • Aplicar extinção sem avaliação funcional prévia.
  • Usar extinção sozinho, sem plano escrito e supervisão do BCBA/psicóloga.
  • Aplicar em comportamentos autolesivos graves sem plano de crise formal.
  • Alternar entre reforçar e ignorar — vira reforço intermitente e piora o comportamento.
  • Confundir extinção com punição — extinção NÃO é castigo, é remover o reforço que mantém.

Baseado em AFIRM — Extinction Module (FPG/UNC). A aplicação de extinção requer supervisão de profissional qualificado (BCBA, psicóloga com formação em ABA) e consentimento informado da família.

Reforço diferencial (DRO) & manejo de crises

DRO passo-a-passo e protocolo de crise

Procedimento de reforço diferencial de outros comportamentos (DRO) e manejo estruturado de crises comportamentais, inspirado em Sella & Ribeiro (2018) e Cooper, Heron & Heward (2020).

O que é DRO

Reforço Diferencial de Outros comportamentos — procedimento em que o reforço é entregue após um período de tempo SEM a ocorrência do comportamento-alvo indesejado. Não pune o comportamento; enfraquece-o retirando a consequência que o mantém e reforçando a ausência.

Passo-a-passo

  1. Definir operacionalmente o comportamento-alvo a reduzir (observável e mensurável).
  2. Medir a taxa base (frequência ou tempo entre ocorrências) por 3–5 sessões.
  3. Estabelecer intervalo inicial ligeiramente menor que o tempo médio entre ocorrências (ex.: se ocorre a cada 4 min, começar com DRO de 3 min).
  4. Ao final do intervalo SEM o comportamento-alvo, entregar reforço potente e específico.
  5. Se o comportamento ocorrer, reiniciar o cronômetro sem reforçar e sem repreender.
  6. Aumentar o intervalo gradualmente conforme critério (ex.: 80% de intervalos com reforço em 3 sessões).

DRODiferencial de outros comportamentos

Reforça a ausência do comportamento-alvo por um período.

DRADiferencial de comportamento alternativo

Reforça uma resposta funcionalmente equivalente (ex.: pedir em vez de gritar).

DRIDiferencial de comportamento incompatível

Reforça resposta fisicamente incompatível (ex.: mãos no colo em vez de bater).

DRLDiferencial de baixas taxas

Reforça quando a frequência cai abaixo de um limiar (para reduzir, não zerar).

Protocolo de manejo de crise

Quatro fases obrigatórias. Todo profissional que atua com o caso deve conhecer e assinar o plano.

Prevenção

  • Identificar sinais precoces (agitação motora, mudança de tom, olhar fixo)
  • Reduzir demanda imediatamente e oferecer escolha binária
  • Aplicar comunicação funcional treinada (FCT) — cartão de 'pausa', 'ajuda' ou 'acabou'
  • Ambiente com estímulos reduzidos e rota de saída livre

Durante a crise

  • Postura neutra, tom baixo, poucas palavras (< 5)
  • Retirar objetos que possam machucar e afastar outras crianças
  • Bloquear autolesão com contenção protetiva mínima e treinada
  • NÃO negociar, NÃO ceder à demanda que originou a crise, NÃO punir
  • Cronometrar duração e intensidade para registro posterior

Recuperação

  • Aguardar redução da ativação por 2–5 min antes de reintroduzir demanda
  • Retomar a demanda original em versão mínima (fechar o ciclo — evitar reforço da fuga)
  • Reforçar fortemente o primeiro comportamento apropriado que aparecer
  • Registrar ABC completo: antecedente, topografia, duração, intensidade, consequência

Pós-crise (24 h)

  • Reunião breve da equipe para revisar o plano de manejo
  • Comunicar a família com dados objetivos, sem julgamento
  • Revisar antecedentes que podem ter contribuído (sono, alimentação, transição)
  • Ajustar plano de prevenção antes da próxima sessão
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