Prática baseada em evidência para reduzir comportamentos problemáticos removendo o reforço que os mantém — sempre a partir da função do comportamento, com ensino de resposta alternativa, plano de crise e checklist para a família.
Público-alvo
Comportamentos que interferem na aprendizagem, autolesivos ou disruptivos — com função identificada.
Duração
Aplicação contínua · exige supervisão clínica e plano escrito
Conteúdo educativo baseado em práticas com evidência (NPDC/AFIRM). Não substitui formação profissional em ABA nem orientação clínica individualizada.
No painel, os registros de sessão desses programas geram gráficos automáticos de evolução e resumos com IA (revisáveis pela profissional) — tudo por paciente, com privacidade total.
Fundamentos AFIRM
O que é Extinção
Extinção é uma prática baseada em evidência (AFIRM/NPDC) que consiste em remover o reforço que estava mantendo um comportamento problemático, para que ele diminua ao longo do tempo. Só pode ser aplicada depois de identificar a função do comportamento (por que ele acontece) e sempre em conjunto com o ensino de um comportamento alternativo funcional. Extinção não é punição e não deve ser confundida com "ignorar tudo".
Tipos de extinção (pela função)
Extinção da atenção
Comportamento mantido por atenção social
Retirar contato visual, verbalizações e reações — permanecer neutro e presente para segurança.
Exemplo: Criança grita para chamar atenção → adulto não olha, não fala, não repreende; volta a interagir quando aparece comportamento apropriado.
Extinção da fuga/esquiva
Comportamento mantido por escapar de demanda
Manter a demanda até que a criança complete a tarefa (ou responda com o comportamento-alternativa ensinado).
Exemplo: Criança joga o material para escapar da atividade → adulto guia fisicamente a mão para terminar a tarefa; só encerra após a resposta.
Extinção do tangível
Comportamento mantido por acesso a itens/atividades
Não entregar o item enquanto o comportamento inadequado estiver ocorrendo.
Exemplo: Criança bate para pegar o tablet → tablet permanece guardado; é entregue somente após um pedido apropriado (mando/troca PECS).
Extinção sensorial (automática)
Comportamento mantido por consequência sensorial
Mascarar/bloquear a consequência sensorial e oferecer alternativa funcional equivalente.
Exemplo: Criança bate objetos pelo som → objeto forrado para reduzir o som; disponibilizar instrumento musical apropriado.
Explosão de extinção (extinction burst)
Ao iniciar a extinção é esperado que o comportamento piore antes de melhorar. Prepare a família e a equipe:
Aumento temporário da frequência, intensidade ou duração do comportamento (extinction burst).
Aparecimento de comportamentos novos — variabilidade da resposta.
Respostas emocionais: choro, agressão, agitação.
Recuperação espontânea dias depois — pode reaparecer, mesmo após redução.
Plano de crise
Toda intervenção de extinção deve ter um plano de crise por escrito, assinado pela família e revisado pela equipe clínica antes da aplicação.
Antes
Definição operacional do comportamento-alvo (topografia, início, fim).
Avaliação funcional (ABC + entrevista) confirmando a função.
Ensinar ANTES uma resposta alternativa funcional (FCT/mando).
Combinar com família/escola quem faz o quê e quais frases usar.
Ambiente seguro: retirar objetos que possam ferir, prever espaço.
Consentimento informado por escrito dos responsáveis.
Durante a crise
Priorizar SEGURANÇA — da criança, de quem intervém e de outras crianças.
Postura neutra: sem gritar, sem repreender, sem negociar.
Bloqueio físico mínimo, apenas se houver risco (nunca contenção prolongada).
Manter extinção da função identificada (não entregar atenção/fuga/tangível).
Reforçar imediatamente qualquer sinal do comportamento alternativo.
Registrar horário, duração, intensidade e antecedente para o ABC.
Critérios de parada / encaminhamento
Risco iminente de lesão grave (auto ou hetero) — interromper e proteger.
Duração fora do previsto (>15–20 min) ou aumento por mais de 3 sessões seguidas — reavaliar o plano com o BCBA/psicóloga responsável.
Qualquer dúvida da família: pausar extinção e reagendar reunião de plano.
Depois
Debrief com a equipe: o que funcionou, o que ajustar.
Comunicar a família com transparência (registro escrito).
Atualizar gráfico de comportamento e ABC no prontuário.
Reforçar densamente o comportamento alternativo pelo restante do dia.
Checklist de implementação — cuidador
Roteiro prático para a família aplicar em casa. Imprima e marque a cada dia até que todos os itens sejam consistentes.
Preparação
Sei qual é o comportamento-alvo (descrição por escrito).
Sei qual é a função (atenção · fuga · tangível · sensorial).
Sei qual comportamento alternativo devo reforçar no lugar.
Retirei objetos de risco do ambiente.
Combinei com os outros adultos da casa a mesma resposta.
Durante o comportamento
Mantive rosto neutro, sem olhar direto prolongado.
Não falei, não repreendi, não expliquei.
Não entreguei o item/atividade desejada.
Mantive a demanda (se a função for fuga).
Garanti a segurança física sem contenção desnecessária.
Assim que aparece o comportamento adequado
Reforcei imediatamente (≤ 3 segundos).
Usei o reforçador combinado no plano.
Nomeei o que a criança fez ('Você pediu com o cartão, obrigada!').
Registro diário
Anotei horário, gatilho e duração.
Marquei se houve explosão de extinção.
Enviei o registro para a equipe (app / caderno).
Nunca faça
Aplicar extinção sem avaliação funcional prévia.
Usar extinção sozinho, sem plano escrito e supervisão do BCBA/psicóloga.
Aplicar em comportamentos autolesivos graves sem plano de crise formal.
Alternar entre reforçar e ignorar — vira reforço intermitente e piora o comportamento.
Confundir extinção com punição — extinção NÃO é castigo, é remover o reforço que mantém.
Baseado em AFIRM — Extinction Module (FPG/UNC). A aplicação de extinção requer supervisão de profissional qualificado (BCBA, psicóloga com formação em ABA) e consentimento informado da família.
Reforço diferencial (DRO) & manejo de crises
DRO passo-a-passo e protocolo de crise
Procedimento de reforço diferencial de outros comportamentos (DRO) e manejo estruturado de crises comportamentais, inspirado em Sella & Ribeiro (2018) e Cooper, Heron & Heward (2020).
O que é DRO
Reforço Diferencial de Outros comportamentos — procedimento em que o reforço é entregue após um período de tempo SEM a ocorrência do comportamento-alvo indesejado. Não pune o comportamento; enfraquece-o retirando a consequência que o mantém e reforçando a ausência.
Passo-a-passo
Definir operacionalmente o comportamento-alvo a reduzir (observável e mensurável).
Medir a taxa base (frequência ou tempo entre ocorrências) por 3–5 sessões.
Estabelecer intervalo inicial ligeiramente menor que o tempo médio entre ocorrências (ex.: se ocorre a cada 4 min, começar com DRO de 3 min).
Ao final do intervalo SEM o comportamento-alvo, entregar reforço potente e específico.
Se o comportamento ocorrer, reiniciar o cronômetro sem reforçar e sem repreender.
Aumentar o intervalo gradualmente conforme critério (ex.: 80% de intervalos com reforço em 3 sessões).
DRO — Diferencial de outros comportamentos
Reforça a ausência do comportamento-alvo por um período.
DRA — Diferencial de comportamento alternativo
Reforça uma resposta funcionalmente equivalente (ex.: pedir em vez de gritar).
DRI — Diferencial de comportamento incompatível
Reforça resposta fisicamente incompatível (ex.: mãos no colo em vez de bater).
DRL — Diferencial de baixas taxas
Reforça quando a frequência cai abaixo de um limiar (para reduzir, não zerar).
Protocolo de manejo de crise
Quatro fases obrigatórias. Todo profissional que atua com o caso deve conhecer e assinar o plano.
Prevenção
Identificar sinais precoces (agitação motora, mudança de tom, olhar fixo)
Reduzir demanda imediatamente e oferecer escolha binária
Aplicar comunicação funcional treinada (FCT) — cartão de 'pausa', 'ajuda' ou 'acabou'
Ambiente com estímulos reduzidos e rota de saída livre
Durante a crise
Postura neutra, tom baixo, poucas palavras (< 5)
Retirar objetos que possam machucar e afastar outras crianças
Bloquear autolesão com contenção protetiva mínima e treinada
NÃO negociar, NÃO ceder à demanda que originou a crise, NÃO punir
Cronometrar duração e intensidade para registro posterior
Recuperação
Aguardar redução da ativação por 2–5 min antes de reintroduzir demanda
Retomar a demanda original em versão mínima (fechar o ciclo — evitar reforço da fuga)
Reforçar fortemente o primeiro comportamento apropriado que aparecer