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PECS — Sistema de Comunicação por Troca de Figuras

Ensino da comunicação funcional por meio da troca de figuras, em seis fases estruturadas — do pedido espontâneo à construção de sentenças.

Público-alvo
Crianças e adolescentes com comunicação verbal limitada.
Duração
6 fases · sessões curtas e frequentes
Evidência
Prática baseada em evidência para TEA (NPDC/AFIRM).

Conteúdo do módulo

6 lições

  1. 01

    Fase 1 — A troca física

    8 min · 4 passos · 0 questões

  2. 02

    Fase 2 — Distância e persistência

    7 min · 3 passos · 0 questões

  3. 03

    Fase 3 — Discriminação de figuras

    8 min · 3 passos · 0 questões

  4. 04

    Fase 4 — Estrutura da sentença

    7 min · 3 passos · 0 questões

  5. 05

    Fase 5 — Respondendo a 'O que você quer?'

    6 min · 3 passos · 0 questões

  6. 06

    Fase 6 — Comentário espontâneo

    7 min · 3 passos · 0 questões

Acesse as lições completas

Player interativo com passo-a-passo e quiz — disponível para profissionais logados.

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Conteúdo educativo baseado em práticas com evidência (NPDC/AFIRM). Não substitui formação profissional em ABA nem orientação clínica individualizada.

No painel, os registros de sessão desses programas geram gráficos automáticos de evolução e resumos com IA (revisáveis pela profissional) — tudo por paciente, com privacidade total.

Fundamentos AFIRM

O que é o PECS e como funciona

O Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (Bondy & Frost, 1994) é uma prática baseada em evidência para ensinar comunicação funcional a crianças e adolescentes com TEA que ainda não usam a fala de forma efetiva. São 6 fases — do pedido físico ao comentário espontâneo.

Princípios inegociáveis

  • Comece SEMPRE por avaliação de preferências — sem reforçador potente, não há PECS.
  • Nas Fases I–II, zero prompt verbal. O silêncio é a técnica.
  • Dois treinadores nas Fases I e alguns momentos da II (parceiro + facilitador atrás).
  • Corrija erros com a sequência de 4 passos, não com 'não' ou repetição da instrução.
  • Generalize desde o início: pessoas, lugares, itens, momentos do dia.
  • Coleta de dados por tentativa: independente (I), com prompt (P), erro (E).

Fase I

A troca física

A criança aprende a pegar uma figura de um item preferido, esticar o braço em direção ao parceiro comunicativo e soltar a figura na mão dele para receber o item.

Como fazer

  • Faça avaliação de preferências antes de começar (identifique 3–5 itens muito motivadores).
  • Trabalhe com dois adultos: um parceiro comunicativo (à frente) e um facilitador (atrás da criança).
  • Sem prompts verbais — o adulto atrás guia fisicamente a mão da criança até que ela entregue a figura.
  • Desvaneça a ajuda física de trás para frente: mão → punho → cotovelo → ombro → sombra.

Dica: Nunca diga 'o que você quer?' nesta fase. O objetivo é o pedido espontâneo.

Fase II

Distância e persistência

A criança vai até a pasta de comunicação, retira a figura e caminha até o parceiro comunicativo — mesmo que ele esteja longe ou de costas.

Como fazer

  • Aumente gradualmente a distância entre a criança e a figura.
  • Depois, aumente a distância entre a criança e o parceiro comunicativo.
  • Varie parceiros, ambientes e itens — generalização desde o início.
  • Ensine a criança a buscar atenção (tocar o ombro, entregar mesmo se o adulto se afastar).

Dica: Ainda sem discriminação de figuras — apenas UMA figura por vez na pasta.

Fase III

Discriminação de figuras

A criança escolhe entre duas ou mais figuras na pasta a que corresponde ao item desejado.

Como fazer

  • IIIA: figura do item preferido × figura de um distrator não preferido (ou item neutro).
  • IIIB: figura de dois itens preferidos — faça o 'teste de correspondência' entregando o item da figura escolhida.
  • Se a criança pegar a figura errada mas quiser o outro item, aplique o procedimento de correção em 4 passos (mostrar → prompt → mudar → repetir).
  • Varie a posição das figuras na pasta a cada tentativa.

Dica: O 'teste de correspondência' é o coração desta fase — entregue o que a figura diz, não o que a criança olhou.

Fase IV

Estrutura da sentença

A criança constrói uma frase usando a figura 'Eu quero' + figura do item na tira-sentença e entrega a tira ao parceiro.

Como fazer

  • Coloque a figura 'Eu quero' fixa à esquerda da tira-sentença.
  • Ensine a criança a montar: pega 'Eu quero' → coloca na tira → adiciona a figura do item → entrega a tira.
  • Ao receber, o adulto lê apontando: 'Eu... quero... bolinha' e entrega o item.
  • Aos poucos, dê pausa depois de 'Eu quero...' para incentivar a fala espontânea (se houver).

Dica: É aqui que atributos (cor, tamanho, quantidade) podem ser introduzidos.

Fase V

Responder a 'O que você quer?'

A criança responde à pergunta 'O que você quer?' montando e entregando a tira-sentença.

Como fazer

  • Use prompt de atraso (delay): pergunte e espere 0 → 2 → 5 segundos antes de apontar para 'Eu quero'.
  • Mantenha oportunidades de pedido espontâneo intercaladas — a Fase V NÃO substitui o mando espontâneo.
  • Reforce imediatamente com o item pedido.

Dica: Cuidado: muitos programas param aqui. O objetivo final é comunicação espontânea, não responder a perguntas.

Fase VI

Comentário espontâneo

A criança responde a perguntas como 'O que você vê?', 'O que você ouve?', 'O que você tem?' — e faz comentários espontâneos usando 'Eu vejo', 'Eu ouço', 'Eu tenho'.

Como fazer

  • Introduza novos iniciadores de frase ('Eu vejo', 'Eu ouço', 'Eu tenho', 'É um').
  • Use situações inesperadas / novidades para provocar comentário espontâneo.
  • Reforçadores sociais (atenção, elogio) passam a ser mais usados — o item comentado nem sempre é entregue.

Dica: Aqui a comunicação deixa de ser só pedido e passa a incluir função de compartilhar informação.

Procedimento de correção em 4 passos (Fase III+)

  1. Mostrar — aponte para a figura correta.
  2. Prompt — ajude a criança a pegar a figura correta.
  3. Mudar — quebre o contexto (peça algo simples, ex.: 'bate palma').
  4. Repetir — refaça a tentativa de troca. Se acertar, reforço social (não o item, para não reforçar o erro).

Armadilhas comuns

  • Pular a Fase I e já mostrar figuras 'para escolher' — a criança nem entendeu que figura = pedido.
  • Usar prompts verbais ('pega a figura', 'me dá') nas fases iniciais.
  • Reforçadores fracos ou saciados — a criança perde motivação para trocar.
  • Ficar preso na Fase IV/V sem avançar para comentário espontâneo (Fase VI).
  • Não treinar a família — PECS só funciona se acontece em casa, escola e clínica.

Envolvimento da família é obrigatório

PECS só se generaliza se pais, cuidadores e escola aplicarem as mesmas fases, com as mesmas figuras e o mesmo procedimento de correção. Reserve tempo semanal de treino da família.

Adaptado de AFIRM (Autism Focused Intervention Resources & Modules) — UNC FPG Child Development Institute · Bondy & Frost (1994, 2001). Material educativo — não substitui formação certificada em PECS (Pyramid Educational Consultants).

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