Conteúdo educativo baseado em práticas com evidência (NPDC/AFIRM). Não substitui formação profissional em ABA nem orientação clínica individualizada.
No painel, os registros de sessão desses programas geram gráficos automáticos de evolução e resumos com IA (revisáveis pela profissional) — tudo por paciente, com privacidade total.
Fundamentos AFIRM
O que é o PECS e como funciona
O Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (Bondy & Frost, 1994) é uma prática baseada em evidência para ensinar comunicação funcional a crianças e adolescentes com TEA que ainda não usam a fala de forma efetiva. São 6 fases — do pedido físico ao comentário espontâneo.
Princípios inegociáveis
Comece SEMPRE por avaliação de preferências — sem reforçador potente, não há PECS.
Nas Fases I–II, zero prompt verbal. O silêncio é a técnica.
Dois treinadores nas Fases I e alguns momentos da II (parceiro + facilitador atrás).
Corrija erros com a sequência de 4 passos, não com 'não' ou repetição da instrução.
Generalize desde o início: pessoas, lugares, itens, momentos do dia.
Coleta de dados por tentativa: independente (I), com prompt (P), erro (E).
Fase I
A troca física
A criança aprende a pegar uma figura de um item preferido, esticar o braço em direção ao parceiro comunicativo e soltar a figura na mão dele para receber o item.
Como fazer
Faça avaliação de preferências antes de começar (identifique 3–5 itens muito motivadores).
Trabalhe com dois adultos: um parceiro comunicativo (à frente) e um facilitador (atrás da criança).
Sem prompts verbais — o adulto atrás guia fisicamente a mão da criança até que ela entregue a figura.
Desvaneça a ajuda física de trás para frente: mão → punho → cotovelo → ombro → sombra.
Dica: Nunca diga 'o que você quer?' nesta fase. O objetivo é o pedido espontâneo.
Fase II
Distância e persistência
A criança vai até a pasta de comunicação, retira a figura e caminha até o parceiro comunicativo — mesmo que ele esteja longe ou de costas.
Como fazer
Aumente gradualmente a distância entre a criança e a figura.
Depois, aumente a distância entre a criança e o parceiro comunicativo.
Varie parceiros, ambientes e itens — generalização desde o início.
Ensine a criança a buscar atenção (tocar o ombro, entregar mesmo se o adulto se afastar).
Dica: Ainda sem discriminação de figuras — apenas UMA figura por vez na pasta.
Fase III
Discriminação de figuras
A criança escolhe entre duas ou mais figuras na pasta a que corresponde ao item desejado.
Como fazer
IIIA: figura do item preferido × figura de um distrator não preferido (ou item neutro).
IIIB: figura de dois itens preferidos — faça o 'teste de correspondência' entregando o item da figura escolhida.
Se a criança pegar a figura errada mas quiser o outro item, aplique o procedimento de correção em 4 passos (mostrar → prompt → mudar → repetir).
Varie a posição das figuras na pasta a cada tentativa.
Dica: O 'teste de correspondência' é o coração desta fase — entregue o que a figura diz, não o que a criança olhou.
Fase IV
Estrutura da sentença
A criança constrói uma frase usando a figura 'Eu quero' + figura do item na tira-sentença e entrega a tira ao parceiro.
Como fazer
Coloque a figura 'Eu quero' fixa à esquerda da tira-sentença.
Ensine a criança a montar: pega 'Eu quero' → coloca na tira → adiciona a figura do item → entrega a tira.
Ao receber, o adulto lê apontando: 'Eu... quero... bolinha' e entrega o item.
Aos poucos, dê pausa depois de 'Eu quero...' para incentivar a fala espontânea (se houver).
Dica: É aqui que atributos (cor, tamanho, quantidade) podem ser introduzidos.
Fase V
Responder a 'O que você quer?'
A criança responde à pergunta 'O que você quer?' montando e entregando a tira-sentença.
Como fazer
Use prompt de atraso (delay): pergunte e espere 0 → 2 → 5 segundos antes de apontar para 'Eu quero'.
Mantenha oportunidades de pedido espontâneo intercaladas — a Fase V NÃO substitui o mando espontâneo.
Reforce imediatamente com o item pedido.
Dica: Cuidado: muitos programas param aqui. O objetivo final é comunicação espontânea, não responder a perguntas.
Fase VI
Comentário espontâneo
A criança responde a perguntas como 'O que você vê?', 'O que você ouve?', 'O que você tem?' — e faz comentários espontâneos usando 'Eu vejo', 'Eu ouço', 'Eu tenho'.
Repetir — refaça a tentativa de troca. Se acertar, reforço social (não o item, para não reforçar o erro).
Armadilhas comuns
Pular a Fase I e já mostrar figuras 'para escolher' — a criança nem entendeu que figura = pedido.
Usar prompts verbais ('pega a figura', 'me dá') nas fases iniciais.
Reforçadores fracos ou saciados — a criança perde motivação para trocar.
Ficar preso na Fase IV/V sem avançar para comentário espontâneo (Fase VI).
Não treinar a família — PECS só funciona se acontece em casa, escola e clínica.
Envolvimento da família é obrigatório
PECS só se generaliza se pais, cuidadores e escola aplicarem as mesmas fases, com as mesmas figuras e o mesmo procedimento de correção. Reserve tempo semanal de treino da família.
Adaptado de AFIRM (Autism Focused Intervention Resources & Modules) — UNC FPG Child Development Institute · Bondy & Frost (1994, 2001). Material educativo — não substitui formação certificada em PECS (Pyramid Educational Consultants).